*Deivison Pedroza
Em “Coma Profundo†há 19 anos, acorda finalmente a POLÃTICA NACIONAL DE RESÃDUOS SÓLIDOS. Pelo menos em seu texto, ela diz ter ouvido tudo o que o MEIO AMBIENTE aclamou durante todos estes anos em que esteve adormecida.
Agora, mais do que nunca, é a hora de reascendermos o debate sobre esta DISTANÃSIA (morte lenta, ansiosa e com muito sofrimento) de nosso planeta.
A nova lei determina que a União, Estados e municÃpios elaborem planos para tratar de resÃduos sólidos, estabelecendo objetivos, metas e programas para sua recuperação, reutilização e reciclagem. Isso significa que, até que em fim, vamos poder ver na prática velhos conceitos que aprendemos no passado, exemplo disso, é a intensificação da obrigatoriedade de fabricantes receberem seus produtos de volta em seu final de vida útil. Como nós ambientalistas já dizÃamos: “DO BERÇO AO TÚMULO, ou como a lei mesmo diz: LOGÃSTICA REVERSAâ€.
É claro que o BRASIL não ficou parado nestes 19 anos. Com a chegada da norma NBR ISO 14001, em 1996 muito se fez em prol do meio ambiente, principalmente no AMBIENTE INDUSTRIAL. No entanto, junto com a mudança de cultura do empresariado brasileiro, veio um emaranhado de leis que, se “ranqueadasâ€, nos levariam hoje a estratosfera. O problema é que os estados e municÃpios não acompanharam este processo de educação ambiental, logo, ainda temos, depois disso tudo, muitas leis e muita ignorância neste tema, além de pouca atitude, principalmente por parte do poder público.
Prova disso é que hoje, independente da POLÃTICA NACIONAL DE RESÃDUOS SÓLIDOS, quase todos os Estados já possuem polÃticas que instituem formas de destinação dos resÃduos sólidos, queima a céu aberto e ciclo de vida de alguns produtos, como exemplo, pneus, pilhas, baterias e embalagens de agrotóxicos. O problema é justamente quem está fiscalizando e punindo os estados e municÃpios que insistem nos lixões a céu aberto e no total despreparo com resÃduos sólidos perigosos.
Se olhássemos para trás, terÃamos exemplos aqui mesmo no BRASIL de grandes desastres e tragédias associadas à nossa ignorância neste tema. Quem não se lembra do vazamento de césio 137 em Goiânia? Quem não garante que problemas como esse estão por aÃ, nos lixões, só esperando para serem remexidos.
Considerando que apesar da grande importância para saúde e meio ambiente, o saneamento básico no Brasil está longe de ser adequado, uma vez que mais da metade da população não conta, sequer, com redes para coleta de esgotos e 80% dos resÃduos gerados são lançados diretamente nos rios, sem nenhum tipo de tratamento.
A POLÃTICA NACIONAL DE RESÃDUOS SÓLIDOS, se tiver força, não resolveria somente nossos problemas associados aos lixões, mas com certeza vários problemas de nosso cotidiano tais como as enchentes e doenças - diarréias, dengue, febre tifóide e malária, que resultam em milhares de mortes anuais, especialmente de crianças, que são com certeza transmitidas por água contaminada com esgoto humano e RESÃDUOS SÓLIDOS.
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De acordo com o IBGE, quanto à  coleta de lixo, a grande maioria dos municÃpios (63,3%) deposita seus resÃduos em lixões a céu aberto e sem nenhum tratamento. Os aterros sanitários estão presentes em apenas 13,8% das cidades brasileiras e apenas 8% possuem programas de coleta seletiva.
Por tudo isso, acredito que a grande dificuldade que os municÃpios terão daqui para frente para se adequarem a esta determinação será convencer as muitas famÃlias que vivem do lixo a se organizarem em cooperativas ou associações de catadores de materiais reutilizáveis, e como garantir a eles benefÃcios com linhas de financiamentos públicos.
*Diretor-presidente da Verde Gaia
FONTE: Verde Gaia Consultoria e Educação Ambiental